Advogado detido por Lewandowski diz que o STF é a fortaleza da impunidade

Cristiano Caiado de Acioli, preso pela PF após ter dito ao ministro Ricardo Lewandowski que tem vergonha do Supremo Tribunal Federal, afirmou ao Radar nesta quarta-feira (12/12) que a Suprema Corte brasileira é a última fortaleza da impunidade e que faz o papel de guardiã da velha política

Por Toni Duarte//RADAR-DF/EXCLUSIVO

Em conversa com o Radar, o advogado foi incisivo ao sustentar que o Supremo Tribunal Federal é uma vergonha e que essa convicção se tornou muito mais forte, após ter sido preso pela Polícia Federal por ter externado tal sentimento ao ministro Ricardo Lewandowski na semana passada (04/12).

Disse ainda que os seus mais ferozes críticos que ganhou, infelizmente foram os seus pares. A OAB ficou em silêncio e a advocacia de joelhos por causa do aparelhamento escancarado e absoluto de todas as instituições. O episódio ocorreu no voo G3 1446, da Gol, que deixou o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para Brasília.

Radar- Por que você sustenta que o STF é uma vergonha?

Eu já tinha essa convicção que o STF é uma vergonha e isso só aumentou após a abordagem que eu fiz a um de seus ministros, no caso Ricardo Lewandowski. Eu vejo que a Corte é a última fortaleza da impunidade e o ponto de segurança do velho Brasil. A instituição que deveria ser a guardiã da democracia, dos princípios e valores mais elevados, na verdade faz o papel de guardiã da velha política.

Radar-Comentam que a sua abordagem a Lewandowski foi desrespeitosa. Procede?

Quem estava naquele avião sabe que a minha manifestação direcionada ao ministro foi de forma educada e absolutamente parcimoniosa, tomando todos os cuidados para não o desrespeitar, nem aos passageiros e muito menos criar qualquer tumulto no voo. Não sou uma pessoa pública que provoca esse tipo de coisa apenas para ter alguns minutos de fama. Sou apenas um cidadão indignado como os milhões de brasileiros que se indignam com a impunidade que existe no país. Eu não me conformo com as coisas erradas.

Radar-Você foi acusado de pôr em risco a segurança do voo.

Desde  quando afirmar que ter vergonha do SFT pode colocar a segurança de um voo em risco? Essa justificativa para a minha prisão é esdrúxula. Para eles passei a ser um inimigo do Estado com a vida vasculhada pelos órgãos de segurança.

Radar-Como você vê o STF e o ministro Ricardo Lewandowski?

Eu vejo como uma figura pública que não quero para o meu país. Não vejo o Supremo Tribunal federal como um guardião da lei e da ordem. Eu vejo ao contrário: uma instituição de resistência que não respeita a lei.

Radar-Você foi preso sem uma acusação formal. Seria uma violação aos direitos do cidadão?

Sim. Se eu fosse uma pessoa brilhante, alguém acima da média, quem daria voz de prisão ao ministro Lewandowski naquele momento, seria eu, porque ele cometeu um crime. Entendo que nenhuma autoridade, seja ela qual for, não pode mandar prender uma pessoa que não cometeu qualquer crime.

Radar- Como foi o momento da prisão?

A ordem de prisão foi executada por uma pessoa que jamais poderia fazer isso. Quem entrou no avião para cumprir a ordem do ministro foi um servidor do STF que não é policial. Essa pessoa, se passando por um policial, foi que me conduziu coercitivamente, me obrigando a pegar minhas malas na esteira do saguão do aeroporto. Só depois que os policiais federais chegaram e me conduziram a superintendência. Foi um abuso de poder e cometimento de crime de falsidade ideológica, praticado por esse funcionário do STF que só depois eu descobri que se tratava de um técnico judiciário. O que aconteceu comigo foi uma violação dos direitos humanos. O ministro usou o poder do Estado contra um cidadão que apenas manifestou um sentimento de repulsa ao STF. Ele violou todos os meus direitos e garantias fundamentais.

Radar- E alguém se importou com isso, a OAB, por exemplo?

Oficialmente a OAB fez um gesto muito tímido como o de mandar dois advogados e nada mais. Foi um silêncio absoluto. Os meus mais ferozes críticos que ganhei, infelizmente foram os meus pares. Fico muito triste por fazer parte de uma advocacia de joelhos por causa do aparelhamento escancarado e absoluto de todas as instituições. Como advogado fico decepcionado e como cidadão fico muito preocupado com o país. O aparelhamento é grande, as pessoas têm medo de tudo. Percebi isso dos passageiros do avião, apesar de boa parte deles concordar com a minha manifestação. Me cumprimentaram em voz baixa pela minha coragem, mas sem nenhuma manifestação contrária a minha prisão absurda e ilegal

Radar- Você acha que os brasileiros têm medo até de ter vergonha?

Vergonha é um sentimento reprimido que as vezes você não fala, mas não vejo nenhum problema botar isso pra fora. Todos nós temos esse legítimo direito deste  que seja feito de maneira respeitosa e sem cometimento de qualquer crime, é óbvio. O direito de expressão é algo fundamental por ser a mais pura essência da individualidade humana. A gente vive em um país com todo o tipo de violência, como urbana, tributária e com  um Estado que é sequestrado por poucos. Por outro lado, a maioria dos brasileiros não sabe exercer a nossa cidadania. Quem tenta fazer isso paga caro, como é o meu caso. Nós brasileiros somos tratados que nem vassalos e não como cidadãos.

Radar- Por que você acha que o supremo é uma fortaleza da impunidade?

O Supremo tem o discurso do garantismo e do hipergarantismo que só é usado com toda a sua força em favor dos mais favorecidos. Isso não é usado em prol da sociedade como um todo. É apenas uma bandeira usada para justificar a vilania.

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