CHEIRO DE MARACUTAIA: BB PERDOA DÍVIDA MILIONÁRIA DE EMPRESÁRIO DO DF

Sem alternativa, a juíza 1ª Vara Cível do Gama, deve homologar um acordo que exala maracutaia e favorecimento, no qual o Banco do Brasil perdoa uma dívida de mais de R$ 5 milhões contraída pelo empresário e presidente da Federação das Indústrias do DF, Jamal Jorge Bittar. Mas o Ministério Público Federal pode questionar o acordo, que, pela sua espantosa singularidade, é muito estranho ao mundo dos negócios

Por Toni Duarte//RADAR-DF

Apesar de o Banco do Brasil sozinho ter fechado 670 agências entre 2017 e 2018, dentro de um processo de redução de custos que também envolveu um programa de demissão voluntária (PDV), para cerca de 10.000 empregados, no entanto, no meio da crise, o referido banco público resolveu privilegiar amigos influentes como o empresário e sindicalista Jamal Jorge Bittar.

De uma dívida de R$ 5.102.766,34, pelo acordo, que só falta ser homologado pela justiça (processo de execução 1999.04.1.000797-9), o empresário brasiliense só vai pagar uma pechincha de apenas R$ 70 mil.

Um desconto espantoso e macabro em torno de 98,63%, algo que os mais simples devedores daquela instituição gostariam de ter.

Um advogado ouvido pelo Radar, com muitos clientes do Banco do Brasil envolvidos nesse tipo de situação, que pediu  anonimato, afirmou que o perdão de quase 100% da dívida é um caso escandaloso e imoral, digno de uma investigação mais profunda por parte do Ministério Público Federal por envolver dinheiro de um banco público.

Ele explicou que quando um simples mortal, sem eira e nem beira, fica devendo o cheque especial, o cartão de crédito ou empréstimo com o Banco do Brasil, ou qualquer outra instituição financeira, é achacado de todos os lados, com cobranças administrativas, execuções judiciais mediante juros escorchantes e abusivos.

“As instituições quando resolvem fazer algum acordo, pouco abatem o valor cobrado. Isto é fato”, disse.

No entanto, para o presidente da FIBRA (Federação das Indústrias do DF), Jamal Jorge Bittar, a situação foi diferente. Foi um perdão de pai para filho.

O Radar teve acesso ao processo de execução (nº 1999.04.1.000797-9) que tramita há quase 20 anos na 1ª Vara Cível do Gama.

O processo deve ter um desfecho final pela juíza Patrícia Vasques Coelho até o final dessa semana, com a homologação do acordo entre o Banco do Brasil e o executado Jamal Bittar, segundo informou a 1ª Vara de Justiça da comarca.

O empréstimo contraído pelo empresário, dono da Alumax Industrial e Comercio de Alumínio, que deu como garantia panelas, caçarolas, frigideiras e bacias de alumínios é do dia 26 de fevereiro de 1999.

O empréstimo foi de R$249.716,57, que corrigido pelo IGP-M até o dia 1º de maio passado teria o poder aquisitivo de R$ 1.086.082,12 o valor aplicado pelo banco.

De acordo com o processo, o valor atualizado da dívida feito no dia 18 de outubro do ano passado chegou a R$ 5.102.766,34.

No entanto, o Banco do Brasil informou à Justiça que no dia 25 de setembro do ano passado celebrou um acordo em que o executado propôs pagar e o exequente aceitou receber, para a liquidação de todo o saldo devedor, a importância de R$ 70 mil.

A 1ª Vara Civil do Gama informou ao Radar que não tem como não homologar um acordo celebrado entre credor e devedor e que a decisão no caso entre o Banco do Brasil e Jamal Bittar pode acontecer no decorrer desta semana.

Segundo informações do cartório daquele juízo, os autos podem ser enviados ao Ministério Público Federal para melhor apurar os fatos já que envolve o Banco do Brasil.

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