Sede da Empresa Brasil de Comunicação em Brasília

No governo Bolsonaro, a EBC deve defender os valores e interesses nacionais

A pregação privatizante ou anti-estatizante do futuro governo certamente foi ouvida, apreciada e aprovada por boa parte do seu eleitorado. Os brasileiros estão cansados de ver o Estado torrar dinheiro com empresas desnecessárias, quando não atende sequer seus compromissos básicos de educação, saúde e segurança.

*Por Edgar Lisboa

Foram criadas 41 empresas nos 13 anos de reinado petista. Entre as estatais brasileiras muitas são deficitárias, ineficientes ou irrelevantes. Algumas reúnem todos esses atributos.

No entanto, sempre que tratam de privatização, integrantes do futuro governo sugerem um tratamento diverso da simples extinção ou venda para aquelas empresas que consideram “estratégicas ou de interesse nacional.”

Não se pode esquecer que no próximo governo muitos cargos serão ocupados por ex-militares, homens foram forjados em uma ideologia calcada nas idéias de segurança e defesa dos interesses nacionais.

Entre as empresas estatais que merecem um exame mais acurado, destaca-se, sem dúvida, o caso da Empresa Brasil de Comunicação. É interessante lembrar que a EBC chegou a ser chamada de TV do Lula quando surgiu, porque a ideia de que se estava criando em empresa de Estado não prosperou.

Nem poderia num governo que confundia as metas de curto prazo de seu Partido com os objetivos permanentes da Nação. Mas, na verdade, o que governo petista fez foi unificar muitas empresas oficiais de informação existentes desde a era Vargas.

O que nunca é dito claramente e com ênfase, nesses apressados debates que antecedem a formação do governo, é que empresas estatais de comunicação existem no mundo todo, incluídos aí os países desenvolvidos.

Todos conhecem ou já ouviram falar de eficientíssima BBC, da portuguesa RTP, da italiana RAI, da japonesa NHK, e da TV5 Monde, que divulga a produção de tevês estatais de França , Canadá, Bélgica e Suíça. Aliás, empresas oficiais de comunicação existem até mesmo na terra em que as forças anti-estado são mais fortes, os Estados Unidos.

Alguém pode imaginar a China fechando suas empresas de comunicação? Ou a Rússia? Não. Não fechariam por um motivo muito simples: governos não podem abrir mão de ter veículos que transmitam informações que consideram relevantes para o País, mas que jamais seriam divulgadas pelas companhias privadas.

Outro aspecto importante desta empresa, sequer mencionado publicamente, é que a EBC é hoje a maior fonte de notícias, sem custo e de qualidade, oferecida a milhares de emissoras de rádios, blogs e sites principalmente do interior.

Da mesma forma, o leitor atento pode verificar todo dia que os grandes veículos impressos ou eletrônicos se beneficiam das reportagens, fotos ou vídeos da empresa.

Fechar a EBC seria o tipo de tolice que nos remete ao ditado sobre os pais descuidados que jogam fora a criança junto com a água do banho. O encerramento da empresa não é a solução para a má gestão ou o aparelhamento partidário, que ocorreram sem dúvida em anos recentes.

O que esse caso requer é uma solução inteligente, ou seja, é preciso transformar a EBC efetivamente em uma empresa de Estado, porém moderna e auto-sustentável.

Sabe-se, por exemplo, que a EBC gasta por ano cerca de 100 milhões com aluguel de sua sede quando possui um patrimônio imobiliário que chega aos bilhões, espalhado pelo Distrito Federal e por outras unidades da federação.

A EBC, por exemplo, poderia construir sua sede na cidade digital de Brasília com a venda de outras áreas que possui na capital.

No que se refere ao seu financiamento, a EBC poderia produzir conteúdo em consórcio com outras empresas particulares ou públicas. Poderia aumentar seu fundo de financiamento da produção.

Deveria ter metas rígidas de custo, de faturamento e também de ampliação da audiência. Deveria exigir maior eficiência do seu quadro de pessoal.

Em suma, o que se deve cobrar da EBC, além da óbvia eficiência jornalística, é que ela estabeleça e alcance patamares de alta qualidade, que não podem ser praticados pelos grandes veículos de massa. A EBC deve atender a todos os brasileiros e não apenas alguns segmentos.

Não pode dividir seu público entre “nós” e “eles” ou “bons” e “maus”. A EBC deve defender os interesses nacionais. A EBC deve defender os valores nacionais.


*Edgar Lisboa é jornalista, empresário, especialista em planejamento de comunicação corporativa, gestão de agência de notícias e publicações. Exerceu a direção de vários veículos de comunicação. Foi Diretor Executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e Gerente-Executivo de Comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e das entidades do sistema indústria (SESI, SENAI, IEL).Foi representante no Brasil da Organização Mundial Repórteres Sem fronteiras. Hoje é diretor editor do Blog Edgar Lisboa e da Agência Digital News, com produção de conteúdo para veículos de comunicação.

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